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Juntamente com questões escultóricas referentes a tensões,
equilíbrios, volume, suspensão, outras preocupações
permeiam estas esculturas de Whashington A. Silveira, como silêncios,
música e tempo
Nesta exposição, o que se apresenta é um pensamento
deslocado do instrumento de música berimbau. Não deixa-se
notar as particularidades da vinda deste instrumento ao Brasil pela
cultura africana e a singularidade de sua forte música rítmica
acompanhar uma luta corporal que é quase uma dança. Observamos
nas esculturas sua forma e artesania, o arco a tensionar as peças
e o espaçõ ao redor e as caixas de ressonância que
tanto podem ser a garrafa vazia, a câmara de pneu, o tubo de imagens,
a lâmpada e o longo cilindro.
E o que ressoa nestas caixas? O ar, o espaço dos especatdores,
um movimento virtual da câmara de um pneu, as imagens todas que
poderiam jorrar de um tubo de imagens que volta-se não para os
olhos, mas para o chão e um cilindro e suas duas torneiras (abertas?
fechadas?) que guardam o momento de nosso olhar. E, de uma maneira geral,
a ressonância das peças está em se mostrar como
criação artística em vibração, para
inserir-se dentro da produção cultural contemporânea.
Um outro pensamento do qual parte este trabalho são considerações
sobre música experimental e John Cage. A princípio Cage
nos ensinou a escutar o silêncio, a "ouvir com os olhos"
* (um novo desregramento dos sentidos) e a nos deslocarmos de nossa
posição tão soberana sobre as coisas, ao fazer
uso do acaso e suas composições. Desta base conceitual
também advém o fato de que Cage em seus trabalhos faz
uma somatória de linguagens plásticas musicais e literárias,
daí trazendo à tona um espectador que pensa a obra de
arte como textos de diversas leituras e um artista vive que seu tempo
e abre-se a uma multiplicidade de caminhos formais e conceituais.
Paulo R. O. Reis
Outubro de 1996
* Folha de São Paulo, 06/05/96
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