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Marcela Tiboni, a mais jovem artista da exposição, começou
sua trajetória artística exatamente se perguntando sobre
a possibilidade de expressão a pintura hoje. Sua videoperformance:
O Grito, assim como suas fotografias, tratam do convívio íntimo
com a tinta e o enorme desafio de se deixar impregnar por esse meio
que já marcou muitos séculos de arte. Na performance,
Marcela bebe e vomita tinta, deixa-se envolver inteira na busca de expressão
com esse material. E reclama, em altos brados, com uma pergunta incessante:
"Por que a pintura não grita, por que a pintura não
pode gritar?" O titulo remete a famosa pintura do norueguês
Edvard Munch, que coagula a angustia expressionista em um momento único
e emblemático. Marcela ecoa o fascínio e, ao mesmo tempo,
o medo das novas gerações em enfrentar essa técnica
tão antiga quanto atual. Sua geração, como as anteriores,
tem na pintura um objetivo árduo, mas, em igual medida, um desafio
iniciático irresistível. Seja ela realizada nos materiais
tradicionais ou não.
Texto escrito pela crítica de arte Angélica de Moraes,
também curadora da exposição Pintura Reencarnada,
ocorrida em maio de 2004, no Paço das Artes, São Paulo.
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