| APRESENTAÇÃO
A relação entre arte e público sempre me despertou
curiosidade, por querer saber qual é o nível de profundidade
na fruição de obras de arte. Mais especificamente, este
interesse se volta à arte contemporânea, pois na minha
condição de artista procuro fazer uma leitura de como
esta relação se processa para o meu próprio entendimento,
fruição ou qualquer outra experiência que uma obra
de arte venha proporcionar.
Desse modo, os trabalhos que desenvolví foram produzidos com
o intuito de refletir sobre um pensamento considerado não erudito,
ou seja aquele que não é adquirido pelo viés acadêmico.
Ainda assim, esse gosto não erudito se constrói por meio
de diversas classes sociais em diferentes níveis culturais.
Outro aspecto relevante, da minha produção, é o
de proporcionar uma visão da arte como forma de comunicação
entre indivíduos. Destaco este aspecto, pois, a arte contemporânea
parece estar fadada a um círculo muito restrito de iniciados
pela academia. A pouca visitação dos espaços que
abrigam este tipo de arte é um fato que parece ser superado apenas
em mega eventos, com orçamentos milionários. No dia-a-dia,
exposições menores, em sua grande maioria, com orçamentos
curtos não têm muita visibilidade e não são
vistas e apreciadas pelo grande público.
O embate cotidiano do público em geral com a arte não
existe nem nos espaços públicos ou institucionais, nem
nos espaços privados e nem nas tentativas, por parte dos artistas,
de levar a arte para as ruas, onde teoricamente este embate deveria
acontecer.
Essa relação, entre público e arte contemporânea,
que num primeiro momento parece não ter profundidade, pois é
desse modo que os próprios espectadores se referem ao seu grau
de intimidade com a arte, é usada como matéria-prima na
construção dos trabalhos aqui apresentados.
Luciano Mariussi
|