Território sonoro
James Correa e POIS (Claudia Paim, Luciano Zanette e Marcelo Gobatto)
Território Sonoro é um programa
radiofônico experimental realizado entre dezembro de 2004
e janeiro de 2005, em Porto Alegre. Apresenta a paisagem sonora
do Parque Harmonia e da orla do Guaíba, dando voz aos usuários
desse espaço (incluindo o V Fórum Social Mundial)
e contando histórias que ali se multiplicam.
O programa - de 60 minutos - foi veiculado na Rádio da
Universidade (UFRGS) - AM 1080, junto ao programa de extensão:
A cidade e seus elementos para uma história musical, dia
26 de janeiro às 21 horas e na Rádio do Acampamento
nos dias 29 e 30, respectivamente às 19hs e 8hs.
Este programa foi um projeto desenvolvido e gerado por nosso desejo
de realizar uma intervenção durante o Fórum
e de trabalhar em conjunto com o músico James Correa.
Momento 1: tentar mapear os sons do Parque Harmonia que além
do Acampamento da Juventude abrigaria outros locais de palestras
e trocas. Usamos a estratégia de captar sons em dias diferentes
e começamos bem antes do início do Fórum.
Descobrimos as características deste espaço no seu
dia a dia, na sua habitualidade. Espaço este que, sabíamos,
seria totalmente transformado quando ocupado durante o Fórum.
No final de dezembro começamos a fazer uma série
de visitas para reconhecer e captar material de trabalho. Realizamos
quatro idas ao local entre o fim de dezembro até bem próximo
do início do fórum.
Este primeiro momento foi o de confronto com o lugar, com as pessoas
que ali circulam, com os ruídos que ali se fazem. Aproximação:
perceber as qualidades destes sons, quem ali circula, que lugar
é este. Prestar atenção naquela paisagem
sonora, mas também na história, nos detalhes de
sua vegetação e fauna, dos prédios, das pessoas
e grupos que ali circulam. A natureza, a cidade, a interferência
do homem ali.
Já tentávamos um estabelecimento de propósitos
e idéias: o que fazer, o que captar, onde e quando.
Fomos registrando, desde a primeira visita, imagens e sons em
vídeo (sendo que para o programa capturamos as imagens
e extraímos os sons que nos interessavam). Algumas fotos.
Fragmentos de sons: canto dos pássaros, cigarras, as conversas
de quem ali passava, um assobio, sons de máquinas, barulho
dos carros que trafegavam nas vias próximas, som do rio.
Descobertas, relações.
Desde o primeiro dia observávamos as pessoas trabalhando
para construir o Acampamento. Trabalho que ia se intensificando
com o correr do tempo. Conversamos com moradores do parque e funcionários
que ali trabalham.
Ao perceber e, de certo modo, mapear as diferentes formas de ocupação
humana do parque resolvemos captar depoimentos destes grupos e
que estão no programa.
Momento 2: todo este material sonoro foi reunido e passamos à
fase de seleção. Buscamos as referências e
as relações entre os depoimentos e a história
do parque. Fizemos uma breve pesquisa histórica sobre a
sua fundação e obtivemos notícias de jornais
sobre a sua inauguração. Com a incorporação
destes textos buscamos reconstituir esta memória.
Entrevistamos ainda uma bióloga que conhece a fauna e flora
do Parque da harmonia.
Nesta etapa, posterior ao da captação dos sons,
é que surge o programa propriamente dito: uma certa reconstrução
da paisagem sonora, sua contraposição com a voz
daqueles que ali vivem e podem narrar a sua experiência
com o lugar: experiência afetiva, física, social.
Os sons se misturam. Incluímos trechos musicais e trabalhamos
com James na edição do programa.
Terceiro momento: a difusão.
O programa, divulgado pela web, foi ao ar na Rádio da Universidade
no primeiro dia do Fórum e foi veiculado também
na Rádio do Acampamento sendo ouvido em sua sede e também
pelos acampados em seus rádios. No primeiro dia de veiculação,
estávamos presentes e praticamente operando o equipamento
junto com o pessoal da rádio.
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