|
| 1904 | - Nasce, no dia 11 de junho, na
Estrada do Anhaia, em Morretes, Theodoro De Bona, terceiro filho
de Antonio De Bona, operário, natural de Igne Langarone,
nos arredores de Cortina d'Ampezzo, monte da Itália, e
de sua segunda esposa Cesira Bertazzoni.
| 1912 | - De Bona chega em Curitiba para
continuar os estudos. Matricula-se no Colégio Bom Jesus
e recebe grande incentivo do seu professor de desenho a iniciar
um curso de pintura. Nesse período hospeda-se na casa do
irmão de seu pai, o tio Arcângelo. Posteriormente,
estuda no Ginásio Curitibano.
| 1917 | - Morte da mãe, Cezira
Bertazzoni De Bona. O pai, Antonio, vem a falecer no ano seguinte.
| 1919 | - Ingressa em aulas de pintura
ministradas pela professora Gina Bianchi, em seu ateliê
no palacete Wolff, espaço atualmente ocupado pela Fundação
Cultural de Curitiba. Estuda desenho, num momento seguinte, com
Hercília Cecchi.
| 1922 | - É aceito como aluno de
Alfredo Andersen, freqüentando seu atelier até as
vésperas da viagem à Europa (1927). Convive com
Estanislau Traple (1898-1958), Freyesleben (1899-1970) e outros
artistas locais.
| 1925 | - Participa, pela primeira vez,
de uma exposição coletiva com seus colegas pintores,
em dependência da Associação Comercial do
Paraná.
| 1926 | - Conhece e se torna amigo de
Bruno Lechowski, pintor polonês de idéias diferenciadas
e, até certo ponto, revolucionárias, que durante
sua permanência no Paraná influenciou significativamente
o meio artístico local.
| 1927 | - Realiza, com o apoio de amigos,
sua primeira individual no saguão do cinema Mignon, em
Curitiba, logrando arrecadar fundos para sua viagem de estudos
à Europa. Foram expostas 26 pinturas. Viaja para Itália
com modesta bolsa de estudos outorgada pelo governo do Estado
do Paraná (100 mil réis mensais durante os dois
primeiros anos), somada ao auxílio da Prefeitura de Morretes
(50 mil réis mensais). Em Veneza, pois, ingressa na Academia
de Belas Artes, onde permanece durante seis anos, sendo aluno
de Vicenzo Di Stefani, Ettore Tito (1859-1941) e Virgílio
Guido (1891-1984). Participa do movimento de vanguarda, denominado
Cà Pesaro, do qual destaca-se, entre outros, o artista
Giuseppe Santomaso. Tem contato, provavelmente, com os "machiaiolli"
(manchadores), precursores italianos do movimento impressionista
que ocorreria na França no final do séc. XIX.
| 1928 | - Aceito no Salão Oficial
dos Artistas Venezianos. Até 1935, irá participar
de todas as edições anuais deste certame artístico.
| 1929 | - É selecionada, para o
Salão regional de Veneza, a tela Festa dos Calouros (Cà
Foscari), além de um auto-retrato intitulado A primavera
da Vida. De Bona decide permanecer na Itália, embora estivesse
encerrado o prazo de dois anos de sua bolsa de estudos. Começa,
então, um período de maior dificuldade financeira,
no qual passa a sustentar-se a partir da venda de nus e paisagens.
| 1930 | - A tela Grande Canal promove
o nome do artista, pela primeira vez, na Bienal Internacional
de Veneza. Concorre, nessa 17 ª edição do evento,
com um total de 1.767 trabalhos de outros inscritos, dos quais
apenas 305 seriam aceitos. De Bona é, então, um
dos 264 artistas participantes.
Em Roma, aparece numa coletiva de artistas latino americanos residentes
na Itália, mostra promovida pelo Instituto Cristóvão
Colombo (10/04).
| 1932 | - A municipalidade de Veneza adquire
a obra La Neve a Venezia, por ocasião da Mostra "Sindicale
Bevilacqua La Masa" (04/09).
| 1934 | - É um dos 48 pintores,
entre os 2.480 inscritos, classificados no importante concurso
de obras inspiradas nos fatos heróicos da I Guerra Mundial,
chamado "Concurso da Rainha da Itália", realizado
em Roma. A tela Resistência na Ponte Vidor recebeu prêmio
de 10 mil liras, sendo adquirida pela municipalidade de Longarone,
onde se passa a cena retratada. O estudo dessa tela encontra-se
na galeria Risorgimento, em Roma.
A Galeria Quirinal, em Roma, adquire, com dotações
do rei da Itália, a obra Paese sotto la Neve, dada a conhecer
na Mostra "Sindicale di Cà Pesaro".
| 1935 | - Participa da Mostra "Quarent'Anni
Bienali", em Veneza, expondo cinco obras, entre as quais
uma, a tela Giornata Grigia - Zattere, é adquirida pela
municipalidade para compor o acervo da Galeria de Arte Moderna
do Estado.
Sua tela Paisagem Veneziana participa da exposição
inter-regional de Florença.
Conclui painel projetado para o altar de Santa Terezinha na Igreja
de Maslianico, próximo de Como, na Lombardia.
| 1936 | - Retorna ao Brasil, em decorrência
de passagem fornecida pelo consulado brasileiro em Trieste, onde
conhece o Cônsul e Poeta Vinicius de Moraes. Como a instância
alfandegária de Santos estorvou a retirada das 130 telas
trazidas por De Bona da Itália, o presidente da república
de então, Getúlio Vargas, a pedido do interventor
Manoel Ribas, interfere no caso, a fim de liberá-las.
| 1937 | - Realiza exposição
individual no Clube Curitibano, mostrando 114 obras produzidas
quando da sua estadia na Europa e alguns retratos pintados após
sua chegada no país (10/03). Essa exposição
impressionaria deveras o artista Guido Viaro. O governo do Estado
do Paraná, dada a oportunidade, adquire a tela Terra Prometida,
em que De Bona pinta a chegada de seus antepassados no território
paranaense e que faz parte, hoje, do acervo do Colégio
Estadual do Paraná.
| 1938 | - Recebe encomenda para pintar
o retrato do primeiro reitor da Universidade Federal do Paraná,
Dr. Vitor Ferreira do Amaral, tela hodiernamente encontrada na
Reitoria.
| 1939 | - Com catálogo apresentado
pelo escritor modernista Menotti Del Picchia, realiza exposição
no Palácio das Arcadas, em São Paulo (03/01). Uma
das obras apresentadas, a tela Críticos, cuja fatura vem
dos tempos de Veneza, passa a constituir o acervo da Pinacoteca
do Estado.
É aceito com três obras no Salão Nacional
de Belas Artes, obtendo medalha de prata, depois de receber o
certificado de "hors concours". Paraíso Perdido,
tela premiada, é comprada pelo Museu Nacional de Belas
Artes. A partir desse ano, até 1949, estará presente
em todas as edições do Salão Nacional.
| 1940 | - Casa-se com Argentina Turin,
sobrinha do escultor João Turim, em Curitiba, indo residir,
no mesmo ano, no bairro do Botafogo, localizado na cidade do Rio
de Janeiro. O casal tem duas filhas: Gioconda e Iracema.
Individual em Porto Alegre, no Grande Hotel (28/10).
Participa do Salão Bicentenário de Porto Alegre,
sendo premiado com a tela Nu Acadêmico, adquirido pelo Instituto
de Belas Artes do Rio Grande do Sul.
| 1941 | - Participa de coletiva organizada
pela Sociedade dos Amigos de Alfredo Andersen, no Edifício
Garcez, Curitiba.
| 1942 | - O acervo do Museu Nacional de
Belas Artes, do Rio de Janeiro, recebe, à título
de doação, o Auto-retrato de De Bona. Torna-se sócio
do Clube Curitibano.
| 1943 | - Individual no Salão Mourisco
do Clube Curitibano (04/09).
| 1944 | - Individual no Museu Nacional
de Belas Artes, do Rio de Janeiro (02/09).
Em vista, sobretudo, dos estímulos de Raul Rodrigues Gomes
e Theodoro De Bona, é criado o Salão Paranaense
de Belas Artes. Tendo como patrono Alfredo Andersen, foi aberto
oficialmente no dia 10 de novembro. No 1º Salão, De
Bona é aceito com três obras: Auto-Retrato, Nu e
Porto de Cima, que recebeu a medalha de prata. Toma parte, na
seqüência, das seguintes edições do Salão
Paranaense: 6º (1949), 8º (1951), 9º (1952), 10º
(1953), 11º (1954), 12º (1955), 13º (1956) e 15º
(1958). Integra a comissão julgadora nos anos de 1952 e
1953.
Participa da Exposição de Arte Paranaense no Rio
de Janeiro, promovida pela Sociedade dos Amigos de Alfredo Andersen
(julho).
| 1946 | - Individual na sala de exposições
do Palace Hotel, no Rio de Janeiro, ocasião em que expõe
o estudo para o painel Fundação da Cidade de Curitiba
(01/09).
Individual na Sala de Exposições da Prefeitura Municipal
de Curitiba, na Praça Tiradentes (16/02).
| 1947 | - Realiza o grande painel Fundação
da Cidade de Curitiba, por encomenda da municipalidade. Esse trabalho
encontra-se, atualmente, no salão nobre do Colégio
Estadual do Paraná, de acesso somente a um público
seleto.
| 1949 | - Integra a comissão julgadora
do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
| 1950 | - Exposição Individual
no saguão do Edifício João Alfredo, em Curitiba,
promovida pelo Departamento de Cultura da Secretaria de Educação
e Cultura do Paraná.
Recebe a medalha de ouro no III Salão da Primavera do Clube
Concórdia, em Curitiba, pela obra Iracema.
Participa do I Salão de Maio da Associação
Paranaense de Artistas, no Centro Cultural Inter Americano, localizado
no Palácio Garcês, em Curitiba.
| 1951 | - Exposição Individual em Vitória
(19/08), tendo sido adquirido pelo governo do Espírito
Santo o quadro Tranqüilidade.
O governador do Paraná, Bento Munhoz da Rocha, confere-lhe
a incumbência de realizar um painel de grandes dimensões
para as comemorações do centenário de emancipação
política do Estado. Inicia os estudos dessa grande obra.
| 1953 | - Inauguração do
painel Instalação da Província do Paraná,
destinado ao Palácio Iguaçu, sede do governo curitibano
(19/12). A obra foi executada em dependências da Escola
Técnica de Curitiba, atual CEFET.
| 1954 | - Premiado com a medalha de prata,
no Salão Municipal de Belas Artes do Distrito Federal,
no Rio de Janeiro.
| 1956 | - Prêmio Aquisição
Federação do Comércio do Estado do Paraná,
no 13º Salão Paranaense de Belas Artes, com a obra
Paisagem.
Individual na Sala de Exposições da Biblioteca Pública
do Paraná (03/04).
| 1958 | - Prêmio Aquisição
Federação das Indústrias do Estado do Paraná,
no 15º Salão Paranaense de Belas Artes, com a obra
Paisagem.
| 1959 | - Exposição Individual
na Biblioteca Pública do Paraná, patrocinada pelo
Departamento de Cultura/ SEC/ PR (12/05).
Compõe o júri do XI Salão da Primavera do
Clube Concórdia.
| 1960 | - Retorna a Curitiba, quando é
convidado a lecionar na Escola de Música e Belas Artes
do Paraná - EMBAP, na cadeira que pertencia a Estanislau
Traple, então falecido. Homenageado no Centro Morretense
por amigos e intelectuais residentes no Paraná (08/12).
| 1965 | - Individual na Sala de Exposições
da Biblioteca Pública do Paraná, promovida pelo
Departamento de Cultura/ SEC (22/04).
| 1968 | - Individual na Sala de Exposições
da Biblioteca Pública do Paraná (23/05). Lançamento
do livro de Erasmo Pilotto, Th. De Bona, baseado em sua monografia
e editado pela Livraria Universitária, em Curitiba (08/01).
| 1969 | - Menção ao artista
em verbete do Dicionário de Artes Plásticas do Brasil,
de Roberto Pontual, editado pela Civilização Brasileira,
no Rio de Janeiro.
| 1970 | - Viagem à Europa, em companhia
da esposa, onde revê locais memoráveis.
Designado diretor da EMBAP, cargo em que permanece até
1974.
| 1972 | - Referido em verbete (pg. 2.083,
vol. 5) da grande Enciclopédia Delta-Larousse, editada
na cidade do Rio de Janeiro.
| 1973 | - Homenageado com sala especial
no 30º Salão Paranaense (06/11).
Mostra coletiva "5 Mestres da Pintura do Paraná",
realizada em Maringá pela Secretaria da Educação
e Cultura do Estado. Mostra comemorativa do jubileu de prata da
EMBAP, em Curitiba, momento no qual inaugura a galeria de exposições
da escola.
| 1974 | - Individual na Galeria Cocaco, em Curitiba (27/08).
| 1975 | - Retrospectiva na Sala de Exposições
do Banco de Desenvolvimento Econômico do Paraná,
Badep, em Curitiba, articulada por Domício Pedrodo (10/07).
| 1976 | - Coletiva II "Discípulos
de Andersen/ Artistas Independentes", Badep, Curitiba (17/08).
| 1978 | - Finaliza a Via Sacra, dirigida
à Igreja Nossa Senhora do Porto, de Morretes, conjunto
de 14 obras exposto primeiramente na sala de exposições
do 2º andar da Biblioteca Pública do Paraná
(24/11).
| 1979 | - Amigos oferecem jantar em comemoração
do aniversário de 75 anos do artista, no bairro de Santa
Felicidade, em Curitiba (11/06).
| 1980 | - A tela Paraíso Perdido
figura na mostra de parte do acervo do Museu Nacional de Belas
Artes, na sala de exposições do Teatro Guaíra,
promovida pela Secretaria do Estado da Cultura (14/05).
A revista "Indústria" publica um extenso artigo
sobre De Bona, de autoria do jornalista Eddy Franciosi.
| 1981 | - Expõe, juntamente com
Ado Malagoli e Martinho de Haro, na mostra "Três mestres
da pintura figurativa no Brasil", tendo como sede a galeria
Ida e Anita, em Curitiba (11/12).
Individual no Museu Alfredo Andersen (24/06).
Recebe título de Cidadão Honorário de Curitiba,
legado pela Câmara Municipal (11/06), cinqüenta anos
depois do primeiro concedido pela cidade, e que foi dado a Alfredo
Andersen [CARNEIRO, D. Grande dia e a retrospectiva De Bona. Gazeta
do Povo Curitiba, 03 jul. 1981].
| 1982 | - Lançamento de seu livro,
Curitiba: pequena Montparnasse, publicado com os esforços
e recursos do próprio artista. São editados os álbuns
O Paraná de De Bona, de Araken Távora (30/11); e
Pintores da Paisagem Paranaense, compilado pela Secretaria Do
Estado da Cultura e do Esporte, no qual citam-se obras do pintor;
ambos os livros editados em Curitiba.
| 1983 | - Jantar comemorativo dos 60 anos
de pintura oferecido pelo artista aos amigos na Sociedade Beneficente
Garibaldi, ocasião em que recebe a comenda honorífica
da Ordem do Mérito da República Italiana, no grau
de "Cavaliere Officiale" (26/08).
Volta a expor individualmente no Museu Nacional de Belas Artes,
no Rio de Janeiro, numa ampla retrospectiva na Sala Bernadelli
(02/03). Segundo artigo publicado no Estado do Paraná,
em março desse ano, Max Perlingiero, um dos mais importantes
marchands do país nessa década, deixou escrito no
livro de visitas da mostra: "De Bona é um colorista
extraordinário e suas marinhas, com uma síntese
excepcional, o fazem tão grande quanto Pancetti".
O acadêmico Pedro Calmon, por sua vez, registrou: "A
pintura de De Bona equilibra a audácia moderna e a austeridade
clássica. É leve, diáfana, extensa, admirável.
Nenhum artista representa tão bem o Paraná paisagístico
(...)".
Exposição individual realizada no Clube Curitibano
(12/04).
Homenageado no 40º Salão Paranaense (24/11).
| 1984 | - Individual na Galeria Ida e Anita (23/11).
Retrospectiva no Museu Guido Viaro (11/09).
| 1985 | - Pinta sua última tela,
Volta da Pesca, obra inacabada e sem assinatura. Encontra-se na
casa das filhas, na rua Max Wolff, em Curitiba. Sofre um derrame
e é internado.
| 1986 | - Participa da coletiva "Tradição/Contradição"
- MAC/ PR (03/06).
Homenagem do Mestre, exposição "Artistas da
Década de 60", realizada no espaço Brotto de
Arte, em Curitiba (29/04).
Mostra dos artistas que obtiveram maior número de premiação
nas 42 edições do Salão Paranaense - Museu
Guido Viaro, Curitiba. Organização MAC/ PR (18/11).
| 1989 | - A editora da UFPR publica o
livro De Bona: um exercício de criação, organizado
pela Profª Drª Maria José Justino. Inauguração
da sala Theodoro De Bona no MAC - Curitiba.
| 1990 | - Morre de pneumonia no hospital
da Santa Casa, em Curitiba, no dia 20 de setembro, deixando uma
quantidade considerável de obras, entre paisagens, retratos
e nus. Estréia, no dia 05 de outubro, no Instituto Goethe,
o filme "De Bona: Caro Nome", dirigido pelos irmãos
Werner e Willy Schumann.
|