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INGÊNUO DIÁLOGO
NO RODAPÉ DE IMAGENS
A Torre de rádio de Berlim_____________&_____________A
Ponte do Brooklyn
László Moholy-Nagy, Berlim, 1928 ______________David
Hockney, Nova Yok, 1982
Didonet Thomaz_____
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"... gostem ou não
gostem os sofistas demasiado arrogantes que colheram sua
ciência nos livros - e, por mais delicada e difícil
a tarefa de exprimir minha idéia, não perco
a esperança de consegui-lo. O belo é sempre
extravagante. Não estou querendo insinuar que seja
voluntária e friamente extravagante, pois nesse caso
seria um monstro descarrilhado dos trilhos da vida. Quero
dizer que o belo sempre contém um pouco de extravagância
ingênua não deliberada e inconsciente e que
essa extravagância é que o leva particularmente
a ser belo. É sua marca, sua característica.
Invertam a proposição e tentem conceber um
belo banal! Ora, como essa extravagância - necessária,
incompreensível, infinitamente variada, dependente
dos meios, climas, costumes, raça, religião
e personalidade do artista - poderá algum dia ser
governada, emendada, endireitada pelas regras utópicas
concebidas num pequeno templo científico qualquer
do planeta, sem perigo de morte para a própria arte?
Essa dose de extravagância que constitui e define
a individualidade, sem a qual não existe belo, desempenha
na arte (que a exatidão dessa comparação
perdoe sua trivialidade) o papel do gosto ou do condimento
nos pratos, já que estes só diferem uns dos
outros - abstração feita de sua utilidade
ou da quantidade de substâncias nutritivas que contêm
- pela idéia que representam à língua...".1
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FLASH
Receptor: Como poderei ter certeza de que esta imagem não
é uma ilusão já que não a reconheço?
Emissor: É conveniente perseguir a abstração.
Receptor: Deste ângulo observo uma figura que desce até
um fundo, lá embaixo; pode parecer, mas não se
trata de uma abstração e não há
muito em que pensar.
Emissor: O título de uma imagem cultural pode ser
definitivo.
Receptor: Leia logo o nome da imagem; quero pular essa etapa
de identificação!
Emissor: Por que tanta pressa?
Receptor: Quero esquecer essa imagem o quanto antes, gosto da
distância.
Emissor: É definitivo, não tenha medo da perda
da aura; observe, leia o título, embaixo da imagem!
Receptor: T O R R E D E R Á D I O D E B E R L I M.
Emissor: Separe as palavras para evitar confusão,
inicie o processo de reconstrução da imagem, perceba
e transforme seu conhecimento do mundo.
Receptor: TORRE DE RÁDIO DE BERLIM.
Emissor: ..................................................................................................................................
Receptor:...................................................................................................................................
Emissor: Você não quer falar?
Receptor: O que posso fazer com essa informação,
além de ser banal?
Emissor: Você não quer saber quem produziu essa
imagem, que é um fenômeno em si, inseparável
da matéria que a constitui?
Receptor: Foi Moholy3, já sei.
Emissor: Então, exercite um textomontagem!
FLASH
Receptor: Você pode repetir o texto de Philippe Dubois
a respeito da produção de El Lissitzky4 e Kasimir
Malevich5 para compreender um pouco da influência que
exerceram sobre Moholy-Nagy?
Emissor: É o seguinte: "... a partir de 1914,
vêem-se artistas como Lissitsky e Malevich interessarem-se
pelas fotografias aéreas, quer se trate de vistas efetivamente
tomadas de avião e exibindo paisagens "transformadas",
mal identificáveis - sem horizonte, nem profundidade,
sem buracos, nem saliências, achatadas, geometrizadas,
"abstratizadas", metamorfoseadas em texturas, em configurações
cromáticas ou formais, em jogos de formas "a serem
interpretados" (é até uma profissão
específica: a foto-interpretação) _ , quer,
ao contrário, de vistas tomadas do solo, mais ou menos
na vertical e mostrando esquadrilhas de aviões em pleno
vôo, compondo curiosos hieróglifos na tela do céu...".6
Receptor: Rapidamente, quem foi Walter Gropius?7
FLASH
Receptor: Quem foi o "Homem Raio" 8?
Emissor: Você não sabe?
Receptor: Estou fazendo um pequeno teste com a sua memória.
Leia Baudelaire, leia o que ele diz sobre a arte mnemônica
- "Lázaro, levanta-te".10
FLASH
Emissor: Esta imagem corresponde a um signo indicial (imagem-traço)
de onde deriva sua força de persuasão. Você
concorda?
Receptor: A dinâmica estrutural oblíqua que domina
grande parte da imagem (aérea, parcial, diminuída),
apontando de cima para baixo até um fundo aparentemente
gráfico, fixo, indica uma torre. Entretanto, a certeza
de que realmente é uma torre vem do título da
própria imagem denominada A TORRE DE RÁDIO DE
BERLIM, determinando-a como um signo icônico, podendo
ser analisada conforme um signo plástico, pois possui
forma, composição interna e 'textura'.
Emissor: Foi o Theo Van Doesburg, do Stijl, na Holanda, lá
por 1920 que anulou a doutrina de Piet Mondrian sobre a verticalidade
e horizontalidade admissíveis na pintura!
Receptor: Isto está escrito na "percepção
visual" do Arnheim! Além do que a pintura não
dava mais conta da realidade e o espírito moderno precisava
vivenciar a sociedade tecnológica. A fotografia foi adotada
para alargar a percepção, foi o insight do Moholy-Nagy
para um novo tipo de poder visual, que possibilitou ao homem
ter acesso a uma outra dimensão da realidade.
FLASH
Receptor: Quem foi o Theo Van Doesburg11?
Emissor: É engraçado dizer, mas Doesburg foi
um De Stijl.
Receptor: Purismo formal De Stijl?
Emissor: Da revista do movimento renovador De Stijl, da arquitetura
pela pintura, da identificação da arte com a vida.
Receptor: E a graça?
Emissor: Doesburg, ao introduzir a linha diagonal no quadro,
contrariou "o elementarismo estático" de Mondrian12.
E este considerou o "elementarismo dinâmico"
como uma volta às forças arbitrárias da
paixão, ao individual, raiz dos males como queria Espinoza.
Houve uma ruptura entre ambos em 1924 por causa da teoria do
elementarismo, ficou claro.
Receptor: E daí?
Emissor: Em Broadway boogie-woogie e Victory boogie-woogie,
mais tarde, Mondrian fracionou e dinamizou, apaixonado pela
dinâmica da cidade e do jazz, foi uma justificativa 'sinestésica'.
Com relação à dinâmica oblíqua
terá se dobrado ao Doesburg?
Receptor: Seguindo as datas, tudo ficou misturado e todos os
que se conheceram, acabaram influenciando todos, de certa maneira.
No orgulho e nas palavras, existe potencial para desviar a responsabilidade
histórica, dificultando a apreensão da gênese
das obras de arte.
Emissor: A oblíqüidade d'A TORRE DE RÁDIO
DE BERLIM provocou este ingênuo diálogo no rodapé
da imagem. É este o contexto em que a comunicação
está ocorrendo agora; na esfera do mais provável,
nossa desconfiança com relação à
história é aberta.
FLASH
Receptor: Moholy foi um Bauhaus, ratificou o seu ponto de vista
na prática, emprestou um papel educativo à fotografia
enquanto fenômeno estético, integrando-a entre
a arte e a vida. Existe semelhança entre ele e Rodchenko13?
Emissor: Formalmente. Sem esmiuçar, fixaram-se "...
nas estruturas de ferro, nos edifícios e panorâmicas
urbanas através de direções acentuadamente
oblíquas, produzidas em tomadas de vista descencionais,
rotações de eixo e aproximações
exageradas (...) Rodchenko chamava de nova fotografia aquela
que combatia o velho ponto de vista, ou seja, o olhar de quem
capta a paisagem a partir do solo e olhando para a frente, em
direção reta...". 14
Receptor: É arriscado afirmar que Rodchenko era contra
a experimentação?
Emissor: É menos radical dizer que era contra a experimentação
desenvolvida por Moholy, para o qual, a fatuidade da experimentação
estabelecia os limites da linguagem fotográfica - fotografia
sem câmera, sendo o fotograma a realização
mais pura, o último momento da radicalização
dessa proposta que ocorria pelo contato da realidade com o papel
fotográfico, sem intermediação, a partir
da própria luz, caminho para a abstração.
Receptor: Quais os pressupostos da "nova visão"?
Emissor: Primeiramente, acesso a uma outra dimensão
da realidade tendo como pressuposto básico a limitação
da visão do homem; segundo, as novas relações
espaciais, a visão fraturada em perspectivas oblíquas
dentro da afirmativa de que a imagem fotográfica seria
igual à da fotografia enquanto imagem específica;
terceiro, a objetividade era importante, enquanto aparelho construído,
diferentemente da objetividade de relações óticas
verdadeiras, sem caráter metafórico e simbólico;
quarto, obedecer à realidade conforme princípios
básicos de produção (amplo leque de experimentação:
solarização, fotomontagem, distorções
com lentes, interferência na imagem, etc.) e reprodução
(devolução imediata e mecânica da realidade).
Receptor: Você retirou essas reflexões do gravador?
Emissor: De anotações escritas, feitas na sala
de aula, da Belas.
FLASH
Emissor: Leia sobre as contribuições trazidas
pela Leica, em 1925.
Receptor: "... inúmeras, a começar pelo pequeno
formato. Tinha excepcional velocidade, objetivas intercambiáveis
e permitia o uso de filmes de 36 poses, além de possibilitar
fotos noturnas sem a necessidade do uso de flash. Essa máquina
determinou o redimensionamento da fotografia de imprensa: versatilidade
e discrição seriam as suas novas características...".
15
Emissor: Precisamos dar um salto para pegar a fotografia
d'A PONTE DO BROOKLYN, feita por David Hockney,16 em 1982, data
invertida d'A TORRE DE RÁDIO DE BERLIM, de Moholy-Nagy.
Receptor: A "virada" não é só
dos números, mas da visão moderna para a contemporânea,
em sessenta anos de diferença.
Emissor: A questão da especificidade ficou aguada,
houve uma miscigenação na construção
da imagem. A teoria vem desenvolvendo seu papel de criadora
de ferramentas para avaliar a estética da fragmentação,
homogeneização do mundo pelo excesso de imagens
que são trazidas para as obras de arte, cuja leitura
vem circulando na realidade de segunda mão dos meios
de comunicação de massa.
Receptor: A aura evaporou?
Emissor: Parece irresponsável afirmar. Benjamim questionou:
"... Pero qué es propiamente el aura? Una trama
muy particular de espacio y tiempo: irrepetible aparición
de una lejanía, por cerca que ésta pueda estar...".
17
FLASH
Emissor: O que disse Dubois sobre a categoria "foto-instalação
e a foto escultura", onde é possível incluir
a produção de Hockney?
Receptor: "... a partir do momento em que uma foto é
olhada, é olhada como um objeto, por alguém, num
lugar e momento determinados e, em função disso,
mantém certas relações com aquele que olha.
Aqui, em suma, nada além do bem comum. Mas justamente,
"comumente", quando se olha uma foto, quando se fala
dela, esquece-se que esta nos é dada como "volume"
num e por um "dispositivo" (por mais neutro e discreto
que seja), o qual influi em nossa percepção. Não
se atribui importância (demais) a essa dimensão
de exposição da foto, a tudo o que ela tem de
físico, a tudo o que a cerca, a tudo aquilo por meio
do que ela chega até nós, em suma, a tudo o que
faz sua enunciação concreta no nível de
sua contemplação. Na maioria das vezes, tendemos
a rejeitar a pragmática da recepção das
fotos...". 18
Emissor: A Polaroid é "a mais tátil das
fotos"! Os mosaicos feitos em Polaroid, pelas características
de sua elaboração tridimensional, podem ser denominados
"esculturas fotográficas".
Receptor: A PONTE DO BROOKLYN é uma foto construída
a partir da superposição de um conjunto instantâneo
Polaroid, concluída em "obra única",
autônoma, cheia de aura. O fotógrafo, ao pluralizar
o momento decisivo, provoca a fragmentação referencial
- para cada foto um referente que a corresponde. Problema?
Emissor: Quanto maior o problema - neste caso, de 'desenquadramento,
defasagem, descontinuidade, efeito ladrilhagem', mais intenso
é o raciocínio do espectador que contempla, distante
de si, a estranha imagem de natureza indicial, apegada à
metonímia da contemporaneidade por uma equivalência
construtiva, principalmente.
Receptor: Há semelhança entre os produtos de Nagy
e Hockney?
Emissor: Em ambos, o produto final resulta de uma composição
visual próxima de algumas das principais características
do repertório fotográfico deste século:
"... subtração do ambiente urbano, a ênfase
na plasticidade do edifício em detrimento da percepção
do conjunto estrutural, o uso quase abusivo das tomadas fragmentadas,
a valorização da altura, o emprego da justaposição,
a consciência das possibilidades oferecidas pela composição
visual para reorganização do espaço urbano
representado e para a produção de sentido, e,
finalmente, a tendência ao abstracionismo...".19
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"Existe
um tipo de experiência vital - experiência de
tempo e espaço, de si mesmo e de outros, das possibilidades
e perigos da vida - que é compartilhada por homens
e mulheres em todo o mundo, hoje. Designarei esse conjunto
de experiências como "modernidade". Ser
moderno é encontrar-se em um ambiente que promete
aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação
e transformação das coisas em redor - mas
ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos,
tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência
ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas
e raciais, de classe e nacionalidade, de religião
e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade
une a espécie humana. Porém, é uma
unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja
a todos num turbilhão de permanente desintegração
e mudança, de luta e contradição, de
ambigüidade e angústia. Ser moderno é
fazer parte de um universo no qual, como disse Marx, "tudo
que é sólido desmancha no ar"...".20
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NOTAS
1 BAUDELAIRE, C. Op. Cit., 1988, p. 33-34.
2 As micro-biografias foram compiladas das Referências
Bibliográficas escolhidas para este Projeto de pesquisa,
principalmente d'A Coleção de Fotografia do Museu
Ludwig de Colônia. Lisboa : Áustria : Taschen,
1998 e do Dicionário Oxford de Arte. São Paulo:
Martins Fontes, 1996.
3 László Moholy-Nagy (Bárcbasód,
Hungria, 1895 - Chicago, 1946). Pintor, escultor, fotógrafo,
cineasta. Em 1913 iniciou estudos de Direito em Budapeste. Durante
a Primeira Guerra Mundial dedicou-se ao desenho e à pintura.
Formou-se no espírito do construtivismo russo, especialmente
de Kasimir Malevich e El Lissitzky. Produziu fotogramas desde
1922, apresentando objetos cinéticos (pioneiro da pesquisa
visual cinética contemporânea - OP(tical Art),
desenvolvida na Europa e Estados Unidos, por volta de 1960),
na galeria Der Sturm, Berlim. Em 1923-28, através de
Walter Gropius ingressou na Bauhaus (1919-33) e o contato com
Wassily Kandinsky (1866-1944) influenciou seu desenvolvimento;
inicialmente dirigiu o laboratório de metal, fazendo
experimentação com materiais industriais como
a alpaca, vidro e plexigas; e depois, os cursos preliminares
sobre materiais e espaço; dedicou-se à fotografia,
realizando trabalhos com a sensibilização direta
do papel e "photogrammes", semelhantes aos "rayographs"
de Man Ray. Em 1925 publicou Pintura, Fotografia, Cinema (Bauhausbücher),
esclarecendo as relações entre pintura (forma
de criação com cor) e fotografia (observação
e representação do fenômeno da luz). Em
1926 acompanhou a Bauhaus-Dessau. De 1928 a 1934, em Berlim,
dirigiu um estúdio de 'design' gráfico, projetou
para Ópera Kroll e o Teatro Piscator, trabalhou em filmes
experimentais e exposições em Berlim, Bruxelas
e Paris. Em 1929, participou e organizou a exposição
Film and Photo, publicando Do Material à Arquitetura.
Em Berlim, após 1930 dedicou-se a cenografia, obras cinéticas
e fotografia. Entre 1932 e 1936 participou das exposições
Abstraction-Création. Em 1934 emigrou para Amesterdão
e para Londres em 1935 trabalhando como designer gráfico.
Em 1937, Chicago, fundou a "new bauhaus" e, no ano
seguinte, a School of Design, tentando perpetuar a filosofia
da Bauhaus nos Estados Unidos, desenvolvendo uma pesquisa visual
ligada ao desenho industrial, seguindo múltiplos caminhos
de investigação; estudou a imagem em movimento
(cena teatral), passando para a fotografia e o cinema. Em 1946
publicou Vision in Motion sobre a teoria do design. (Ver nota
n.°2).
4 El Lissitzky (Politchinok, Smolensk, 1890
- Moscou, 1941). Lazar, dito El, foi pintor abstrato, criando
imagens, "Proun", semelhentes a plantas para construções
tridimensionais. Projetista. Artista gráfico, dedicou-se
à tipografia e ao desenho industrial. Fotógrafo,
desenvolveu formas dinâmicas de fotomontagem, impressão
e iluminação. Estudou engenharia em Darmstadt
e arquitetura em Moscou. Aluno de Marc Chagall (1887-1985),
assimilou o Suprematismo com Kasimir Malevich (empregando o
conceito do eixo diagonal), o Construtivismo de Wladimir Tatlin
(1885-1953) e Rodchenko e do Neoplasticismo holandês de
Piet Mondrian. Teve contato com Theo van Doesburg, com o grupo
De Stijl e com Moholy-Nagy
5 Kasimir Malevich (Kiev, 1878 - Leningrado,
1935). Pintor e projetista russo, teórico, ilustrador
e artista de importância fundamental para a História
da arte abstrata; conhecido como o fundador do Suprematismo.
Estudou artes plásticas na Escola de Pintura, Escultura
e Arquitetura e na Escola de Artes e Ofícios, em Moscou.
A partir de 1912 orientou-se para uma simplificação
geométrica, levando a pintura para o "mundo como
não-objetividade". Participou da elaboração
do Manifesto Futurista. Em 1919 chega ao limite da abstração
com o "Quadrado branco sobre fundo branco".
6 DUBOIS, P. Op. Cit., 1993, p. 261.
7 Walter Gropius (Berlim, 1883 - Boston, 1969).
Arquiteto, diretor da Bauhaus de 1919-28. A fábrica Fagus,
em Alfeld, foi iniciada em 1911. De 1921-25 foi mestre da Forma
no atelier de carpintaria. De 1925-26 projetou os novos edifícios
da Bauhaus - Dessau, Bairro Törten e Dammerstock/ Karlsruhe,
1930. Criou o Teatro Total para o produtor e diretor Erwin Piscator
(1893-1966), em 1927. Em 1938 organizou a exposição
Bauhaus 1919-28, em Nova York. De 1938-41 compartilhou projetos
de arquitetura com Marcel Breuer (1902-81). Em 1964-65 fez o
Projeto do Bauhaus-Archiv para Darmstdt, mas construído
em Berlim entre 1976-79. (Ver nota n.°2).
8 Man Ray (Filadélfia, 1890 - Paris,
1976). Escritor, narrador, pintor, fotógrafo e cineasta,
escultor criador de objetos: cada um, um "ready-made"
modificado. Desde 1913, em Nova York, freqüenta a Galeria
219, do fotógrafo Alfred Stieglitz, amigo de Marcel Duchamp
(1887-1968). Inventor do "rayograph" e da aerografia
aplicada à pintura fez "... tomadas de filme atirando
a câmera no ar, com a objetiva aberta; fotografa renunciando
à objetiva e impressionando a chapa diretamente na câmara
escura (rayogramme)...". O raiograma é uma derivação
do nome de Man Ray para fotograma. (Ver nota n.°2).
9 Alfred Stieglitz (Hoboken, Nova Jersey, 1864
- Nova York, 1946). Estudou engenharia e química fotográfica
em Berlim, recebendo formação de Herman Wilhelm
Vogel (1834-98), o inventor do filme ortocromático. Em
1880 regressou para Nova York, inventando com Joseph T. Keiley
(1869-1914) a fotografia-pura, usando o processo de gelatina;
trabalhou em impressão de gravura, escrevendo sobre publicações
fotográficas; tornou-se editor de American Amateur Photographer
e de Camera Notes. Em 1902, com outros fotógrafos, fundou
a Photo Secession e a publicação Camera Work,
permanente até 1917. Marchand, em 1905 abriu a Galery
291. Em 1907, adepto da "straight photopraphy" compôs
imagens resultantes da "... percepção afinada
da luz e do momento exato do registro...". Em 1917 conheceu
Georgia O'Keeffe (1887-1986), expondo o trabalho dela na sua
segunda galeria, a Intimate Gallery, fechada em 1929. Em seguida,
abriu An American Place, administrando-a até a morte,
transmitindo o que via como fotografia-idéia. Em 1927
fez Equivalente - registros de nuvens, céu e sol demonstrando
gosto por composições e formas marcadas pela abstração.
Atuante até 1937 fotografou também arranha-céus
de Nova York. (Ver nota n.°2).
10 BAUDELAIRE, C. Op. Cit., 1988, p. 180.
11 Theo Van Doesburg (Utrecht, 1883 - Davos,
1931). Pintor. Em 1916, Leiden, fundou com Oud (1890-1963),
o Grupo Sphinx. Em 1917, a partir da revista De Stijl, com Mondrian,
criou o Neoplasticismo holandês baseado na utilização
de formas elementares puras em ângulo reto, excluindo
o emprego de materiais naturais, geometricamente imperfeitos;
movimento de vanguarda e revista, extintos em 1928. Dada fez
oposição ao De Stijl, ambos reconduzindo a problemática
da arte ao ponto de partida da discussão. Em 1921, com
a proposta de socialização da arte feita pela
Bauhaus, Gropius e Doesburg, discordando daquele, encerram em
litígio. Em 1925, publica nas edições Bauhaus
texto sobre sua concepção espacial. Em 1926-27,
Estrasburgo, reestruturou com Hans Arp (ou Jean, 1887-1966)
e Sophie Taeuber-Arp (1889-1943), o Café de l'Aubette,
símbolo de sua concepção de espaço.
Em 1930, Meudon-Val-Fleury, abriu estúdio, centro do
De Stijl, sendo seu estilo trabalhar em colaboração
entre técnicos de diferentes manifestações
artísticas. (Ver nota n.°2).
12 Piet Mondrian (Amersfoort, Utrecht, 1872
- Nova York, 1944). Pintor. Em 1917 fundou com Doesburg a revista
De Stijl em que publicou o diálogo Realidade natural
e realidade abstrata. Em 1925, na edição Bauhaus
publicou Le Néo-plasticisme. Em 1929, tornou-se membro
do Cercle et Carré, fundado por Michel Seuphor (1901-1999)
e Joaquin Torres-Garcia (1874-1949). Em 1932 fez parte do Grupo
Abstraction-Création, fundado por Georges Vantongerloo
(1886-1965) e Auguste Herbin (1882-1960). Em 1938 transferiu-se
para Nova York. (Ver nota n.°2).
13 Alexander Rodchenko (Petrogrado, 1891 -
1956). Escultor, pintor e artista gráfico. Entre 1922
e 1924 fez fotomontagens para arte "pôster"
e livros; usou originais fotográficos (alheios) em Pró
éto. Em 1924 recorreu à máquina e reconheceu
a fotografia como arte de seu tempo. Para Rodchenko, o "...
olhar activo do homem (...) a fotografia estava predestinada
a captar, de modo representativo as impressões confusas
a que estão expostos os habitantes da cidade grande e
moderna...". Em 1928 escreveu Formas de fotografia contemporânea;
com uma Leica, adequou o objeto & uso - posição,
perspectiva e pormenor, com singularidade, valorizando a linha
- grelhas, escadas, arames aéreos transformados em estruturas
de linhas construtivistas e abstratas. Em 1930 tornou-se membro
do Outubro (organização fotográfica e cinematográfica).
Entre 1933 e 1941 trabalhou para o periódico SSSR (URSS).
(Ver nota n.°2).
14 LIMA, S. F. de; CARVALHO, V. C. Op. Cit.,
1997, p. 102-103.
15 COSTA, H.; RODRIGUES, R. Op. Cit., 1995,
p. 114.
16 David Hockney (Bradford, Inglaterra, 1937-).
Pintor, desenhista, ilustrador, gravador, fotógrafo e
designer britânico. Estudou no Bradford College of Art.
Entre 1959-1962 estudou no Royal College of Art de Londres.
De 1963 em diante lecionou em universidades dos Estados Unidos,
desenvolvendo um estilo inglês da pop americana - rótulo
que ele recusou. Há ironia no seu trabalho artístico.
Criou "fenomenológicas" piscinas de papel,
combinando representação precisa&dissolução
da superfície da imagem na água; vastas colagens-imagens
Polariod SX70, justapostas, utilizando a interpenetração
total - canto a canto, de superfícies fotográficas,
a repetição, a troca e a inversão de valores
na composição, agrupamentos cubistas. Em 1970
destacou-se como projetista teatral o que se refletiu em suas
pinturas. O trabalho de Hockney permaneceu desconhecido por
muito tempo e ainda há escassez de informações
sobre sua vida e obra; considerado como comentarista de arte
publicou um livro a respeito de sua própria obra David
Hockney by David Hockney, em 1976. (Ver nota n.°2).
17 BENJAMIM, W. Op. Cit., 1982, p. 75.
18 DUBOIS, P. Op. Cit., 1993, p. 292-293.
19 LIMA, S. F. de; CARVALHO, V. C. Op. Cit.,
1997. p. 101.
20 BERMAN, M. Op. Cit., 1986, p. 15.
21 Ingênuo diálogo no rodapé
de imagens é um Projeto de pesquisa, procedimento "work
in progress", inicialmente escrito e apresentado como conclusão
da disciplina Fotografia Moderna e Contemporânea, ministrada
pela Professora Dr.a Helouise Costa. Curso de Pós-Graduação,
Especialização em História da Arte do Século
XX, Escola de Música e Belas Artes do Paraná-EMBAP,
15 de dezembro de 1999.
22 Agradecimentos à Professora Dra Helouise
Costa; à Antônia Schwinden pela revisão
e à Tânia Bloomfield pela generosidade de emprestar
livros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
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São Paulo: Pioneira: Editora da Universidade de São
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DELEUZE, G. Espinoza e os signos. Porto: Rés
Editora Ltda., 1970.
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Taschen, 1994.
FABRIS, A. (Org.). Fotografia: usos e funções
no século XIX. São Paulo: Editora da Universidade
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Rio de Janeiro: Funarte e Jorge Zahar Editor, 1997.
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LIMA, S. F. de; CARVALHO, V. C. Fotografia e
cidade: da razão urbana à lógica do consumo:
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MERLEAU-PONTY, M. O Olho e o espírito.
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MICHELI, M. de. As Vanguardas artísticas
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MONFORTE, L. G. Fotografia pensante. São
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Capítulo de Livro
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BENJAMIM, W. Pequeña historia de la fotografia.
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BERMAN, M. Modernidade - ontem, hoje e amanhã.
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