| CASULOS
O fazer artístico, na minha
concepção, precisa estar alinhado com a nossa
visão de mundo, mas, além disso, ele tem de
refletir nossos movimentos internos e espelhar nossas buscas
de natureza transcendente. Desse modo, tenho permeado minha
vida pela busca constante de novos "vir a ser",
cuja meta é o aperfeiçoamento e a evolução.
Com esse propósito, venho desenvolvendo algumas séries
de trabalhos, os quais têm como fio condutor um elemento
que se converteu num signo para mim e que tem me proporcionado
fazer inúmeras leituras: o casulo do bicho-da-seda.
As obras escultóricas que venho construindo nesta
caminhada de poucos anos, trazem consigo um corolário
de metáforas e analogias, pois os diversos materiais
utilizados têm permitido tecer um discurso poético
e oferecer àqueles que as observam uma gama de possibilidades
visuais.
Num dos conjuntos, a caminhada em busca da luz interior
foi o foco de interesse, enquanto, em outro, o casulo atuou
como suporte para estabelecer um diálogo, remetendo
a símbolos, signos e aspectos da civilização
egípcia e, nos demais as representações
de mutações e metamorfoses fizeram-se presentes.
Na constante pesquisa de materiais,
percebi a grande similaridade dos tijolos de vidro utilizados
na arquitetura e construção civil, com os
casulos. Assim como os casulos, eles são herméticos
e eu os vejo como casulos de vidro. Promovo sua abertura,
instalo uma obra em seu interior e, em seguida, faço
a junção das partes. Já não
são mais simples tijolos; tem novos significados.
Outro recurso que passei a adotar com freqüência
nas obras é a iluminação, através
do uso de lâmpadas frias, fluorescentes, micro-lâmpadas,
leds, etc.
Na maioria das obras, a cor branca cumpre sabiamente o seu
papel, reinando divinal e soberana.
Penso, assim, que numa trajetória artística
deve estar implícita a pesquisa de novos materiais,
a criação de formas singulares e a busca de
novas temáticas, e que todas elas devem guardar coerência
com a própria vida.
VALDIR FRANCISCO
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