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Portulanos
"... era um portulano de todo o nosso globo, transido
de penachos de fumaça nos cimos das proeminências
da crosta, e, no interior, um emaranhado de veias adustas; e daquele
mapa ele se sentiu, de repente, a imagem viva; agonizou, expelindo
lava por todos os poros, eructando a linfa de sua insaciada satisfação,
perdendo por fim os sentidos - consumido por uma crestada hidropisia
sobre aquela cobiçada carne austral."
Umberto Eco, A
ilha do dia anterior
Cartas náuticas
fictícias de lugares ainda desconhecidos e inominados,
rotas indicadas que não têm latitude, meridiano,
grau, origem, ou destino.
Tentar encontrar
nesses portulanos caminho que nos leve, embarcados nessa nau sem
velame que flutua à deriva e que rompeu espontaneamente
as amarras, livres da nostalgia de um porto seguro e do desejo
de um rumo certo, é tarefa de monta, ainda mais quando
nem sabemos com certeza de que mar somos náufragos.
Utilizando uma placa
de ardósia (usada como revestimento de pisos) como matriz
para impressão em relevo, a origem da pedra, seu uso anterior
e os resultados obtidos durante o processo levaram a essa indagação
de um caminho a seguir, essa necessidade constante de situarmo-nos
em algum lugar, em algum tempo no espaço.
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