Planos Espaços
Museu de Arte Contemporânea do Paraná- Curitiba/PR
01 de julho a 01 de agosto de 2004
PLANOS ESPAÇOS


A proposta Planos Espaços reúne sete artistas com atuações expressivas em nosso meio cultural, que fazem uso de mídias que possibilitam a seriação da imagem e a exploração de suas possibilidades com relação ao recurso de impressão, da repetição e das múltiplas variações decorrentes desses processos.

Entre essas mídias se encontram tantos meios tidos como "tradicionais", como a gravura em metal e a xilogravura, como experiências com diferentes matrizes e suportes de impressão, como o plástico canelado, a ardósia, o poliéster e diferentes objetos.


Não desprezando os procedimentos técnicos como meios de viabilização de idéias, esses artistas os transcendem e por vezes subvertem, numa visão pouco ortodoxa em favor de cada poética individual.

(...) A memória, ou a perda inexorável da mesma, é também tema explorado por Adriane Pasa na instalação intitulada "Dentro". Apropriando-se de fotografias de seu universo particular, em especial o familiar, Adriane as manipula digitalmente e as transfere para as superfícies impressas de livros já lidos, transformando-as numa sombra "eternizada" por meio do processo artístico. Em suas páginas, essas imagens se incorporam ao universo de lembranças que toda boa obra literária proporciona, e ao serem encontradas

inesperadamente, por conseqüência do gesto distraído do folhear, reacendem um passado cristalino, atordoando-nos com a surpresa de sua vivacidade. A mesma imagem é apresentada em diferentes tempos, fragmentada no espaço do suporte de papel, traduzindo nosso estranhamento diante do desaparecimento progressivo dos mitos e de seus significados.

(...) Embora cada artista esteja empenhado na construção de um universo particular, mesmo que conectado ao seu tempo e espaço, algumas preocupações são comungadas, entre elas a inserção, ou inter-relação, da obra com o meio que a abriga. Planos e espaços são, assim, pensados indissociavelmente. Entendem também que arte e pesquisa devem andar sempre juntos, e de que a prática da reflexão, viabilizada por meio de discussões sistemáticas, é elemento essencial para o desenvolvimento da obra em seus processos.

Seus múltiplos caminhos se entrecruzam na crença de que a individualidade só tem razão de ser no processo de criação quando alimentada, e alicerçada pelo suporte que só a socialização do conhecimento e o compartilhar de experiências pode proporcionar.

Das conversas e trocas durante os encontros realizados na Oficina Permanente de Gravura da UFPR surgiu o projeto que hoje se materializa, resultado do amadurecimento que só o tempo, o trabalho, o despojamento para receber as críticas e opiniões, e a generosidade para oferece-las, podem proporcionar.


Dulce Osinski
Curitiba, maio de 2004.

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