| PLANOS
ESPAÇOS
A proposta Planos Espaços reúne sete artistas com
atuações expressivas em nosso meio cultural, que
fazem uso de mídias que possibilitam a seriação
da imagem e a exploração de suas possibilidades
com relação ao recurso de impressão, da repetição
e das múltiplas variações decorrentes desses
processos.
Entre essas mídias se encontram tantos meios tidos como
"tradicionais", como a gravura em metal e a xilogravura,
como experiências com diferentes matrizes e suportes de
impressão, como o plástico canelado, a ardósia,
o poliéster e diferentes objetos.
Não desprezando os procedimentos técnicos como meios
de viabilização de idéias, esses artistas
os transcendem e por vezes subvertem, numa visão pouco
ortodoxa em favor de cada poética individual.
(...) A memória, ou a perda inexorável da mesma,
é também tema explorado por Adriane Pasa na instalação
intitulada "Dentro". Apropriando-se de fotografias de
seu universo particular, em especial o familiar, Adriane as manipula
digitalmente e as transfere para as superfícies impressas
de livros já lidos, transformando-as numa sombra "eternizada"
por meio do processo artístico. Em suas páginas,
essas imagens se incorporam ao universo de lembranças que
toda boa obra literária proporciona, e ao serem encontradas
inesperadamente, por conseqüência
do gesto distraído do folhear, reacendem um passado cristalino,
atordoando-nos com a surpresa de sua vivacidade. A mesma imagem
é apresentada em diferentes tempos, fragmentada no espaço
do suporte de papel, traduzindo nosso estranhamento diante do
desaparecimento progressivo dos mitos e de seus significados.
(...) Embora cada artista esteja empenhado na construção
de um universo particular, mesmo que conectado ao seu tempo e
espaço, algumas preocupações são comungadas,
entre elas a inserção, ou inter-relação,
da obra com o meio que a abriga. Planos e espaços são,
assim, pensados indissociavelmente. Entendem também que
arte e pesquisa devem andar sempre juntos, e de que a prática
da reflexão, viabilizada por meio de discussões
sistemáticas, é elemento essencial para o desenvolvimento
da obra em seus processos.
Seus múltiplos caminhos se entrecruzam na crença
de que a individualidade só tem razão de ser no
processo de criação quando alimentada, e alicerçada
pelo suporte que só a socialização do conhecimento
e o compartilhar de experiências pode proporcionar.
Das conversas e trocas durante os encontros realizados na Oficina
Permanente de Gravura da UFPR surgiu o projeto que hoje se materializa,
resultado do amadurecimento que só o tempo, o trabalho,
o despojamento para receber as críticas e opiniões,
e a generosidade para oferece-las, podem proporcionar.
Dulce Osinski
Curitiba, maio de 2004.

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