Whashington
Silveira
Inter Americano Galeria de Arte Instituto Inter Americano
- Curitiba/PR
07 de novembro a 26 de outubro de 1999
Outros
trabalhos de Whashington Silveira
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Outros
artistas no MUVI
Juntamente com questões escultóricas
referentes a tensões, equilíbrios, volume, suspensão,
outras preocupações permeiam estas esculturas de
Whashington A. Silveira, como silêncios, música e
tempo
Nesta exposição, o que se apresenta é
um pensamento deslocado do instrumento de música berimbau.
Não deixa-se notar as particularidades da vinda deste
instrumento ao Brasil pela cultura africana e a singularidade
de sua forte música rítmica acompanhar uma luta
corporal que é quase uma dança. Observamos nas
esculturas sua forma e artesania, o arco a tensionar as peças
e o espaçõ ao redor e as caixas de ressonância
que tanto podem ser a garrafa vazia, a câmara de pneu,
o tubo de imagens, a lâmpada e o longo cilindro.
E o que ressoa nestas caixas? O ar, o espaço dos especatdores,
um movimento virtual da câmara de um pneu, as imagens
todas que poderiam jorrar de um tubo de imagens que volta-se
não para os olhos, mas para o chão e um cilindro
e suas duas torneiras (abertas? fechadas?) que guardam o momento
de nosso olhar. E, de uma maneira geral, a ressonância
das peças está em se mostrar como criação
artística em vibração, para inserir-se
dentro da produção cultural contemporânea.
Um outro pensamento do qual parte este trabalho
são considerações sobre música experimental
e John Cage. A princípio Cage nos ensinou a escutar o silêncio,
a "ouvir com os olhos" * (um novo desregramento dos
sentidos) e a nos deslocarmos de nossa posição tão
soberana sobre as coisas, ao fazer uso do acaso e suas composições.
Desta base conceitual também advém o fato de que
Cage em seus trabalhos faz uma somatória de linguagens
plásticas musicais e literárias, daí trazendo
à tona um espectador que pensa a obra de arte como textos
de diversas leituras e um artista vive que seu tempo e abre-se
a uma multiplicidade de caminhos formais e conceituais.
Paulo R. O. Reis
Outubro de 1996
* Folha de São Paulo, 06/05/96
Sem título
1996. Lâmpada, cerejeira e alpaca. 16 x 170 x 160 cm
Sem título
1996. Imbuia, alpaca. 23 x 26 x 145 cm
Sem título. 1996. Cinescópio,
cedro e alpaca. 140 x 60 x 210 cm
Sem título. 1996. Cerejeira, alapaca,
látex (Cãmara). 110 x 210 x 135 cm
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