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"Sincronicidade"
(detalhe).
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.
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Sincronicidade" (detalhe).
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.
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"Sincronicidade"
(detalhe).
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.
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"Sincronicidade".
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó".
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Da cinza à cinza,
do pó ao pó" .
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.
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"Por que você?"
(detalhe).
Madeira, metal, terra e areia. 1,00 x 0,70 x0,57 m. 2003
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"Por que você?"
.
Madeira, metal, terra e areia. 1,00 x 0,70 x0,57 m. 2003
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"GTCA".
Madeira metal e terra. 0,60 x 0,68 x 0,50. 2003
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Gavetas de metal com bigorna ao fundo
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Gavetas de metal na funilaria (detalhe)
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"Judd, de memória".
Em processo na funilaria.
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"Uma coisa depois da outra"
.
Em processo , na funilaria.
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Texturas nas gavetas de metal.
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Sr. Raul trabalhando com o esmerilhador.
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(...) Tânia Bloomfield, desdobrando
suas pesquisas de Faxinal, guarda alegoricamente suas memórias
em gavetas e armários na qual estão bastante vivos
os textos, as palavras ou fragmentos de enunciados."Só
é seu aquilo que você dá" é um
dos versos de uma canção do grupo Lampirônicos,
que num jogo de linguagem entre ter e ser, mostra a ambivalência
da vida material e espiritual, a efemeridade da posse dos bens
naturais com relação aos bens materiais e do conhecimento:
o que realmente nos pertence?
Nessa transformação da matéria em conceito,
do ter em ser, do momento ao infinito, ela se aproxima de Donald
Judd - Judd de memória, para quem a "arte é
algo que se vive" na sua materialidade e que se impõe
na sua específica presença. Da obra Sem Título,
de 1965, um empilhamento de sete elementos semelhantes a gavetas
presos numa parede, a artista preserva as dimensões exatas
da obra original, mas anexando nelas puxadores, caixas de aço
presas numa parede, num alinhamento vertical e com intervalos
iguais como objetos que se oferecem a uma visão total:
frontal, superior, inferior, transversal, lateral, de fora, de
dentro etc.
No texto que Judd escreve em 1965, Objetos específicos,
ele diz querer sair da bidimensionalidade do quadro tornando obsoleto
os termos pintura e escultura. Nestes objetos em três dimensões
são banidos todo o ilusionismo espacial e toda a referência
antropomórfica, como também toda a subjetividade
- é um paralelepípedo cheio ou vazio de uma estrutura
em metal fabricada industrialmente - a literalidade do objeto,
o objetivismo rigoroso deve fazer com que a arte "assim coisificada
deverá se encontrar confrontada com a sua própria
natureza" (Judd).
Tânia nega essa possibilidade da mesma forma que Van Gogh
negou a impossível objetividade visual do impressionismo.
Tudo para ela esta carregado de significados, de presenças,
de memórias ou de história, mesmo a fabricação
mecânica da forma neutra de um material o mais anônimo
possível. Assim dispostos, os objetos específicos
de Donald Judd lembram gavetas que a artista associa com suas
imagens de infância, brincadeiras na areia, escrever em
versos, esconder pequenos objetos , e que ela guarda em gavetas,
alegorias às "gavetas da memória". Estes
novos objetos agora são cheios e não mais vazios.
São cheios principalmente das recordações
dela, dos seus segredos, que serão compartilhados com o
espectador, que poderá encontrar neles também suas
lembranças, as únicas que ficam, pois o sistema
de propriedade pode ser desfeito de um momento para o outro.
Retornamos assim ao pensamento da modernidade que entendeu o homem
como senhor da ruína e da guerra, destruindo para sempre
a pretensão de ser animal racional; desde o cartesianismo,
o cogito trouxe a dúvida e pôs em crise o saber cuja
solução estaria, no que diz Emmanuel Levinas, que
aquela traição de si mesmo, pela alienação
notada na modernidade, pode ser salva pela experiência da
humildade que se completa na ação de se colocar
no lugar do outro. Esta experiência do outro é também
um leitmotiv da obra da Tânia: do "o que você
vê é o que você vê" (Stella) minimalista.
Ela insere a necessidade do outro, de um outro que nos observa;
sua obra existe somente na presença do eu e do outro (lembrando
Josefh Beuys).
Sua obra é um comentário
sobre a história da arte: ela parte dos ready-mades
de Duchamp mostrando que nada é feito ao acaso, faz a crítica
do formalismo minimalista dos anos 60 e chega ao comentário
sobre o eterno e o efêmero a partir dos "acumuladores
de energia" de Beuys, pois a artista diz se sentir bastante
ligada a vasta carga simbólica que pesa sobre o homem contemporâneo.
A instalação se completa com a presença de
outros objetos que mostram a transição entre o puramente
visual e o funcional, do vazio de sentido - mas que ela preencheu
com a sua memória - ao objeto carregado de significados.
Arquivo de aço cheio de terra e areia, escrivaninha, armários
e gaveteiros que não estão ali por acaso. Há
móveis novos e móveis usados num jogo com a metamorfose
dos objetos no qual nada permanece.Os móveis usados trazem
consigo toda a memória acumulada de uma cultura burocrática
ou de um indivíduo que a utilizou, o objeto ainda esta
ali, mas o homem (ou os homens) já desapareceu. Dentro
das gavetas ou sobre os móveis há terra, areia e
por vezes outros objetos que não estão ali simplesmente
para completar a composição, eles também
trazem junto a sua história: um tubo de ensaio carrega
o anel que circulou em Faxinal e que leva a inscrição
"só é seu aquilo que você dá",
anel este que está associado a uma árvore que continua
viva em Faxinal do Céu; sobre a escrivaninha de pés
metálicos e gavetas de fórmica (imitando madeira)
lê-se a inscrição "Por que você?",
esperando que nossa imaginação a complete, ou nos
acusando com um " até tu , Brutus".
Numa pequena mesa de datilografia as letras GTCA (das seqüências
do DNA) lembram o projeto do Genoma; temos nela a memória
da sua história pessoal da mesma forma que DNA é
a história da totalidade, tanto do indivíduo como
de sua raça. É importante lembrar que DNA é
formado por dois ramos de polaridade inversa, talvez também
numa relação de alteridade e totalidade.
São sempre claros na obra da Tânia os conceitos de
posse e propriedade analisados como se fossem a versão
contemporânea do tema das Vanitas vanitatum clássico.
Lembram o Manet Unica virtus (só a virtude é
durável), e que uma obra nunca é acabada, ela só
se completa com a participação do outro, e aquilo
que entendemos como o todo nunca é fechado, nunca é
acabado.
Da assepsia minimalista chega-se aos ambientes burocráticos
repletos de fantasmas, lembranças dos antigos escritórios,
dos lugares profissionais, cheios de coisas desnecessárias
para o mundo moderno, mas que contam com parte da vida humana
daqueles que por ali estiveram, um mobiliário banal que
é obrigatório em toda a administração
tradicional e que carrega consigo sua memória individual,
seja ela boa ou má, e mostram também que seu tempo
passou e que tudo é supérfluo.
Tânia nos conta que as coisas mais simples, os fatos mais
vulgares, os objetos mais banais, tudo sobrecarregado de memória,
de história e de significados, outros mais complexos, mas
tudo é possível de ser interpretado, desde que o
observador se coloque à disposição para desvendar
o mistério de uma obra e participar do ritual do artista.
(...).
Fernando A. F. Bini.
Crítico e curador de
arte

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