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Sem título
Borracha. 400 cm. 1989
Coleção: Jaime Roviralta
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Sem título.
1990
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Sem título.
1991
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Sem título
Foto, relatório e chumbo. 44 x 56 x 8 cm. 1993
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Instalação
Espéculos. 1994
Coleção Museu de Arte Moderna de São
Paulo
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Sem título
Saca mioma, saca-rolhas e borracha, dv. 1995
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Sem
titulo
Cristal, , lamina de barbear e miçanga. 1997
Acervo MAM-SP.
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Sem título
Miçanga, lâmina de barbear,acrílico
e aço. 140 x 80 x 55 cm. 1998
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Sem título
Obra exposta na XXIV Bienal Internacional de São Paulo.
1998 |
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Sem Título
Acrílico e agulhas. base 7 x 50 x 24 cm (altura variável),
1999
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Sem Título
Resina. 20 x 43 x 40cm, 2000
Fotografia cedida pela Galeria Murilo Castro
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Sem Título
Cristal e agulha. 34 x 34 x 4 cm, 2000
Fotografia cedida
pela Galeria Murilo Castro
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Sem título
Acrílico e aço.
2001
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Sem título
Instalação. 15 m2 Galeria Brito Camino, São
Paulo, SP.
Cristal, miçanga, lâminas de barbear, aço
inox e acrílico. 2003
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Sem título
Cristal, miçanga, lâmina de barbear e acrílico.
200 x 80 x 77 cm. 2003
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Sem título
Miçanga, Lâmina de barbear, acrílico,
espelho e lâmpada. 240 x 90 x 150 cm. 2003
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Sem Título. Acrílico
54 x 8cm de diâmetro, 2004
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Sem Título. Acrílico,
2004
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Sem Título (obra 032)
Cristal e agulha de acupuntura
20 x 20 x 3cm, 2005
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Elogio do feminino
Margarida Sant'Anna
"Que
a feminilidade seja autêntica ou superficial,
é fundamentalmente a mesma coisa."
Joan Rivière1
O nome de Nazareth Pacheco está
ligado a uma geração de artistas surgida no final
dos anos 80 e início dos 90, que conjuga aspectos da tradição
minimalista com elementos simbólicos, alguns remetendo
a fatos autobiográficos.
Paulista, licenciou-se em artes plásticas
pela Universidade Mackenzie, complementando sua formação
acadêmica em diversos ateliês livres e wokshops. Realizou
sua primeira individual de maior relevância em 1988, momento
em que começa a trabalhar esculturas filiformes, associando
às longas fitas de borracha ou latão formas pontiagudas,
que remetiam incontestavelmente a instrumentos de dor.
Em 1993, apresentou no Gabinete de Arte
Raquel Arnaud, em São Paulo, vitrines-arquivos de objetos
autobiográficos. Numa exposição ao mesmo
tempo catártica e libertária, a artista investigava
tratamentos médicos e estéticos aos quais foi submetida
desde o nascimento, sem fazer da obra, entretanto , uma ilustração
da própria vida.
Na seminal coletiva "Espelhos e sombras",
com curadoria de Aracy Amaral, Nazareth apresentava o corpo por
meio de instrumentos da medicina destinados à mulher. Os
exercícios de embelezamento, mesclados a técnicas
de tortura, foram tema dos trabalhos desse período e mais
tarde seriam objeto de estudo em seu mestrado, apresentado na
Escola de Comunicações e Artes da USP em 2002. Além
das experimentações anteriores, a artista incorporava
agora uma iconografia inédita para a construção
dos novos objetos: instrumentos de suplício e aprisionamento
vistos no Museu do Crime (Rothenburg, Alemanha) e gravuras de
Debret, em seu livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil.
Convidada por Tadeu Chiarelli a integrar
o Panorama da Arte Brasileira de 1997, no qual foi premiada, a
artista apresentou a produção de colares e vestidos.
Concebidos para adornar, a fim de compensar os limites da nossa
frágil existência, tornavam-se cada vez mais ameaçadores.
O crítico salientava, em texto da mesma época2,
que o risco potencial dos objetos do início dos anos 90
era agora uma realidade. Uma realidade cada vez mais aterradora.
Em 1998, na XXIV Bienal Internacional de
São Paulo, a artista apresentou uma coleção
de colares, todos protegidos em caixas de acrílico como
objetos de desejo. No catálogo individual, Lisette Lagnado
salientava que "reunidos na sintaxe do colecionismo, os adornos
acabam formando um sistema, graças a um trabalho de perlaboração
que os permitiram passar do registro privado à dimensão
pública. Além disso, porém, a dor foi o depósito
compulsório para um ajuste com a volta mítica às
origens".
Em 1999, a partir de textos de Louise Bourgeois,
que a artista conhece naquele verão, surge um berço
com "mosqueteiro", exposto na mostra "Transcendência".
O tema da cortina/transparência irrompe nesse momento, reaparecendo
aqui, mais denso.
O recente trabalho apresentado na Mercedes
Viegas Arte Contemporânea resgata questões dos trabalhos
anteriores. Entretanto, um dado novo surge em sua recente pesquisa,
exibida aqui pela primeira vez: a elaboração de
espaços reservados à privacidade. Construídos
por meio de uma parede/cortina, a passagem do olho é possível,
mas não a penetração, sob risco de ferimentos,
já que construída com lâminas de barbear.
Nesse espaço, superficialidade e profundidade se confundem
visto que não podem ser vividas, experimentadas pelo espectador.
Nessa ambigüidade, tornam-se alegorias do feminino.
No livro De la séduction3, Baudrillard
argumenta que não é exatamente o feminino como superfície
que se opõe ao masculino como profundidade, mas "o
feminino como indistinção da superfície e
da profundidade. Ou como indiferença entre o autêntico
e o artificial."
Valorizando a "pele" desses impenetráveis,
sem nos dar o direito de experimentação do interior
da redoma, a artista parece responder de forma irônica aos
abrigos de Hélio Oiticica, de Lygia Clark. Enquanto ali
eram protetores, aqui nos jogam de volta para o espaço
público (logo, político), obrigando-nos a rever
nosso papel no mundo.
FACÍCULOS DE ARTE COMTEMPORÂNEA
Entrevista de Tadeu Chiarelli com Nazareth
Pacheco
1 - Seus primeiros trabalhos, de caráter
marcadamente autobiográfico, evidenciavam a história
de reconstrução de seu corpo a partir dos parâmetros
mais aceitos da beleza feminina ocidental. Em poucas palavras
você poderia relatar esse processo?
R - Eu dividiria esse processo em duas
partes: nas cirurgias de reparação de um problema
congênito, em que me submeti à correção
do lábio leporino, transplante de córnea, cirurgia
nas mãos, pés, nariz e boca. Já a segunda
parte, seria o registro de tratamentos chamados "de beleza":
tratamento da pelo do rosto, aparelho dos dentes, depilação,
limpeza de pele, entre outros. Essas duas partes do processo se
deram, na verdade, desde quando eu nasci. A partir dos anos 80,
deixei de fazer as cirurgias corretivas e o enfoque passou a ser
dirigido apenas à questão estética.
2 - A necessidade de adaptação
do corpo a um modelo ideal (e irreal) de beleza inscreve-se no
quadro autoritário da sociedade que impõe à
mulher a necessidade de construção de uma persona,
uma máscara adequada a padrões quase sempre inatingíveis.
Como você transformou essa questão em arte? Ou melhor,
em que medida sua experiência de vida foi "traduzida"
para o campo da arte?
R - Por meio de questões ligadas
à identidade e à memória. Chegou um momento
em minha vida em que a questão do modelo ideal de beleza
passou a ter um peso grande e foi por meio desta questão
que, trabalhando com esses dados, a minha experiência de
vida foi "transformada" em arte, mas com uma grande
preocupação formal e estética ao realizar
os chamados "objetos de arte".
3 - Essa relação conflituosa
entre aquilo que você "deveria aparentar" (dentro
dos padrões estéticos estandardizados) e sua aparência
real levou-a à produção de objetos de adorno,
em que a sedução do brilho dos materiais escondia
o perigo real da mutilação, do ferimento em quem
ousasse vesti-los ou mesmo manipula-los. Fale um pouco da perversidade
implícita nessa fase de sua produção.
R - Não posso negar a perversidade presente nos colares
e vestidos, mas acima de tudo os materiais cortantes e de perfuração
escolhidos para confecção desses objetos estavam
diretamente ligados a objetos que sempre me causaram medo e pânico:
agulhas, lâminas etc., as quais sempre eram utilizadas nas
cirurgias às quais me submeti. Mas, por outro lado, utilizo
cristais, pérolas, materiais esses extremamente sedutores,
que se tornaram desejados através de suas formas e brilhos.
Ao desejar alcançar o belo, tenho que me submeter a cortes
e perfurações.
4 - Em uma recente viagem a Nova Iorque
você conheceu a importante artista franco-americana Louise
Bourgeois e com ela se envolveu num projeto de aprofundamento
de questões artísticas e estéticas muito
importantes para o desenvolvimento posterior do seu trabalho.
Você poderia relatar com brevidade essa experiência
e os resultados já passíveis de serem vistos em
sua obra?
R - Louise Bourgeois, que completa 90 anos
em dezembro deste ano, costuma se encontrar com outros artistas,
sempre aos domingos, em sua casa, em Nova Iorque. Participei de
três desses encontros em 1999 e 2000 e o que me chamou mais
a atenção, em primeiro lugar, foi o interesse de
Bourgeois pelo trabalho de seus convidados e não propriamente
pela divulgação de sua própria obra.
No ano passado, quando voltei a Nova Iorque,
telefonei para Louise que me solicitou que levasse alguns trabalhos
no domingo seguinte. Eu não havia levado nenhum trabalho
para Nova Iorque, apenas fotos de obras já realizadas.
Louise não se deu por vencida e pediu que eu produzisse
novas obras para serem apresentadas ao grupo dois dias depois
(o telefonema ocorreu numa sexta-feira).
Depois de sugerir que eu comprasse um tipo
de massa plástica utilizada para modelagem, interrogou-me
a respeito do que eu pretendia fazer. Senti-me pega totalmente
desprevenida e ela sugeriu, então, que eu fechasse os olhos
e imaginasse o objeto que eu deveria fazer. Respondi que, com
certeza, faria um objeto relacionado ao corpo e que teria de dez
a vinte centímetros. "Como você é tímida",
me respondeu Louise.
No domingo apresentei os protótipos
para Louise e o resto do grupo e ela se mostrou muito satisfeita
até insistindo que passasse os objetos para o gesso. De
volta a São Paulo, resolvi que não apenas passaria
os objetos para o gesso mas também os ampliaria.
Esses objetos estão muito relacionados
à fecundação do óvulo pelo espermatozóide
e, num segundo momento, eu consigo sugerir naquela forma totalmente
orgânica alguma interferência capaz de provocar alguma
mutação no desenvolvimento daquele suposto "embrião".
Em função desses trabalhos,
passei a me aprofundar no projeto genoma e gostaria de explorar
essas questões formalmente.
Março de 2001.
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