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Arte do Fogo
Ao empregar o "fósforo [Do
gr. Phosphóros `que traz, que fornece, que dá luz']
elemento luminoso na obscuridade, e que arde em contato com o
ar", segundo o Aurélio Século XXI, o artista
plástico Marlon de Azambuja faz as vezes de um pirotécnico,
que usa o fósforo e a pólvora para brincar com o
perigo, muito mais pelo resultado das formas alcançadas
do que pelo grau de ameaça embutido no processo.
A sua obra é de esteta, evocativa
da passagem entre estados que se transmutam e se modificam entre
a matéria e o volátil, o artista trabalha com a
alma do fogo, lendo os rastros que ele deixa.
Marlon está em intensa atividade
elaborando suas mais recentes obras para outra exposição
individual no Museu de Arte de Cascavel PR, com abertura prevista
para o dia 06 de abril de 2004.
Atuando no microcosmo e lidando com o aspecto
evanescente do fogo, Marlon alinha fósforos empilhados
sobre o suporte, geralmente papel canson, e os acende, desenhando
por meio da destruição. Deste modo, o fogo embrenha-se
pela superfície do papel através da justaposição
dos fósforos, deixando traços indeléveis,
ecos do que já foi matéria.
O ato de domínio do homem em relação
ao fogo, um dos primeiros passos conquistados pela humanidade,
é aqui refinado e dele feita uma releitura. Este exercício
de paciência, de análise do próprio equilíbrio,
de autoconfiança, que termina no comando da matéria
traz embutido um tanto de pirolatria. Adoração do
fogo, não pelo que ele tem de destrutivo, mas pelo processo
através do qual o fogo pode construir algo e também
pelo controle da situação de perigo, de suspense,
de adrenalina, de ir até o limite.
Por este lado, a obra de Marlon é
de uma atualidade assustadora, chocante.
Por isto mesmo, poucos artistas plásticos
no mundo trabalham com fogo e entre eles um outro destaque fica
com o chinês Cai Guoqiang que elabora obras com pólvora,
aproveitando toda a tradição que seu país
possui na área, desde a invenção deste explosivo
até a criação dos fogos de artifício.
Além das fogueiras, como Marlon
as chama, o artista vai apresentar obras com palitos de fósforo,
trabalhos com explosivos sobre papel e duas instalações
com desenhos, um dos quais ilustra esta coluna.
Marlon de Azambuja nasceu em Santo Antonio
da Patrulha RS, em 1978. Vive e trabalha em Curitiba, onde se
iniciou como artista plástico, orientado por Daniel Senise
e Edilson Viriato. Desde 1997, expôs em mais de 30 salões
e coletivas, entre os quais o IX Salão Paulista de Arte
Contemporânea; 57º, 58º e 60º Salão
Paranaense; X Salão de Artes Plásticas de João
Pessoa PB; I Bienal de Gravura de Sto. André SP; Museu
de Arte Contemporânea de Campinas SP, MUMA e MGCC em Curitiba;
Síntese Paraná na Casa Andrade Muricy, Faxinal das
Artes PR 2002, VI Salão Elke Hering Blumenau SC e Uma Viagem
de 450 Anos _ SESC Pompéia SP em 2004. Recebeu além
de uma dezena de prêmios, entre eles no VIII Salão
do Mar Antonina PR, XVI Salão de Artes de Jaú SP,
IV Salão Elke Hering Blumenau SC, XIX Salão de Artes
de Sto. André. Individuais: SESC da Esquina Ctba 1998,
Centro Cultural BR-EUA Ctba 1999, Fundação Cassiano
Ricardo em S.José dos Campos, Museu Alfredo Andersen, Galeria
de Artes Cemig Belo Horizonte MG 2000, Memorial de Curitiba 2001
e MAC-PR em 2002.
Nilza Knechtel Procopiak 12/03/2004

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