Glauco Francisco Menta nasceu em Curitiba/PR, em 1965. Formado em
"Artes Cênicas" pela PUC, Pontíficia Universidade
Católica do Paraná, graduado em Direção
Teatral. Formado pelo CDC, Curso de Danças Clássicas,
da Fundação Teatro Guaíra, Curitiba,/PR. Pós
Graduação em "História da Arte Século
XX", pela EMBAP, Escola de Música e Belas Artes do Paraná,
Curitiba,/PR. Freqüentou o Ateliê Livre do Museu Guido
Viaro, sob orientação de Suzana Lobo, nos anos de
1983 e 1984. Freqüentou o ateliê de Serigrafia, do Solar
do Barão de 1885 a 1995. Freqüentou o ateliê de
Alice Yamamura, nos anos de 2001 e 2002. Dentre suas exposições,
destacamos: 1983 - XVIII Salão de Belas Artes da Primavera,
Clube Concórdia, Curitiba/PR; 1985 - Casa da Gravura, Curitiba/PR;
Sede da Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba/PR
1986 - VII Mostra da Gravura, Curitiba/PR; XXXXIII Salão
Paranaense, Museu de Arte Contemporânea, Curitiba/PR; 1987
- Museu Guido Viaro, Curitiba/PR; Galeria de Arte Banestado, Londrina/PR;
XXXXIV Salão Paranaense, Museu de Arte Contemporânea,
Curitiba/PR; 1988 - 1988 Olho, Museu de Arte Contemporânea
do Paraná, Curitiba/PR; Galeria de Arte Banestado, Curitiba/PR;
VIII Mostra de Gravura Cidade de Curitiba, Curitiba/PR; XXXXV Salão
Paranaense, Museu de arte Contemporânea, Curitiba/PR; 1989
- "PARA RAIO", coletiva realizada em imóvel na
Rua Emiliano Perneta, dias antes de sua demolição
para construção de um edifício, Curitiba/PR;
XXXXVI Salão Paranaense, Museu de Arte Contemporânea,
Curitiba/PR; 1990 - II Bienal Internacional de Gravura da Cidade
de Amadora, Portugal; 1991 - Museu de Arte Contemporânea da
Universidade de São Paulo, São Paulo/SP; 1992 - Museu
Guido Viaro , Curitiba/PR; 1993 - Fatos Verídicos, Museu
de Arte Contemporânea, Curitiba/PR; 1993 - AIDS - Consciência
e Arte, Museu de Arte Contemporânea, Curitiba/PR; 50°
Salão Paraense, Museu de Arte Contemporânea, Curitiba/PR;
1994 - Arte Contra Aids, Museu de Arte Contemporânea, Porto
Alegre/RS; Novos Noventa, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ;
51º Salão Paranaense, Museu de Arte Contemporânea,
Curitiba/PR; 1995 - XI Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, Curitiba/PR;
Carmen, Adriana Penteado Arte Contemporânea, São Paulo/SP;
A Pequena Notável, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis/SC;
52º Salão Paraense, Museu de Arte Contemporânea,
Curitiba/PR; 1996 - Avesso do Avesso, Paço das Artes, São
Paulo/SP; 1997 - International Print Exhibiton, Museu de Arte de
Portland, EUA; Gravadores Contemporâneos do Paraná,
Museu de Arte Contemporânea, Curitiba/PR, e Paço Imperial,
Rio de Janeiro/RJ; 1998 - Projeto Exposições Itinerantes,
SEEC/Cosem, interior do estado; 1999 - Galeria Fralletti Rubbo,
Curitiba/PR; 13 anos de Arte Pop, Adriana Penteado Arte Contemporânea,
São Paulo/SP; Obras recentes, Galeria Fraletti Rubbo, Curitiba/PR;
XII Mostra de Gravura Cidade de Curitiba/PR; 2000 - Imagens em Questão,
Galeria da Caixa, CEF, Curitiba/PR; Acervo Contemporâneo,
Solar do Barão, Curitiba/PR; 2002 - Galeria Ybakatu, Curitiba/PR;
Faxinal das Artes, Museu de Arte Contemporânea, Curitiba/PR;
XV Salão Paranaense de Cerâmica, Museu Alfredo Andersen,
Curitiba/PR; Arte Contemporânea Paranaense, Novo Museu, Curitiba/PR;
2003 - Cerâmicas Utilitárias, Galeria Ybakatu, Curitiba/PR;
V Mostra João Turim, Casa Andrade Muricy, Curitiba/PR.
A ofuscante imagem pop de Glauco Menta
Cores luminosas, contrastes simultâneos, e o que vemos parece
surgir de um fundo infinito de recordações. Um imaginário
nostalgico do qual surgem carmens, tarsilas, eletrodomésticos
e móveis dos anos 50, figuras pornográficas, bolos
de dois andares decorados com muito chantily e coberturas multicoloridas,
todos multiplicados vezes e mais vezes e dispostos como em uma
vitrine para serem escolhidos e consumidos à vontade. É
esta a imagem criada pelas obras do artista Glauco Menta. Arte
Pop?
O Pop surgiu entre fim dos anos 50 e início dos 60 na
inglaterra e nos Estados Unidos, impulsionado pelo crescente desenvolvimento
da economia após a segunda guerra mundial, cujo maior símbolo
pode ser encontrado no supermercado, com suas abarrotadas prateleiras
com inúmeras marcas de produtos industrializados prontos
para serem escolhidos e acumulados naqueles carrinhos de grades
metálicas que vão e vêm entre seus corredores.
Do mesmo modo, astros e estrelas da tv e do cinema misturam-se
às personalidades políticas presentes nas colunas
sociais, em jornais e revistas, ou vendendo aqueles artigos de
supermercado em cartazes e out-doors. Os artistas Pop constroem
simulacros dessas imagens e recontextualizam seus significados,
às vezes parecendo enaltecê-los, mas simultâneamente
esvaziando-os, fazendo uma crítica fria e distante deste
mundo de consumo.
Os artistas brasileiros dos anos 60 não realizaram um Pop
típico na época, deglutindo essas referências
misturadas às do Novo Realismo francês, com uma alta
dose de engajamento à situação sócio-política
local. Poderia então essa arte sobreviver no Brasil contemporâneo?
Evidentemente três décadas se passaram e o contexto
se alterou em pontos significativos, embora nossa civilização
pareça cada vez mais consumista e aberta aos produtos do
mundo. A Pós-Modernidade também traz possibilidades
novas, como a de resgatar todos os movimentos artísticos
do passado, mas transformando-os em linguagens articuladas como
códigos, e aniquiliando seu sentido histórico. Por
outro lado, parece que as principais escolhas do repertório
da arte contemporânea no Brasil se dirige predominatemente
para a arte conceitual, o pós-minimalismo, a arte matérica
e os muitos expressionismos e seus derivados.
Como ver então a produção de Glauco Menta,
que nos apresenta uma brilhante imagem Pop, com uma apurada técnica
serigráfica e um grande domínio da composição
e das tonalidades cromáticas que utiliza? O artista parece
destoar das preferências do circuito artístico atual,
e uma visão superficial poderia enquadrá-lo como
uma mero imitador de Andy Warhol que substitui Marilyn Monroe
por Carmen Miranda. Mas enxergá-lo assim é um erro,
o que causa equívoco para a compreensão de sua obra.
Essa confusão leva parte do circuito a subentender tal
produção, na medida em que: 1) não se identifica
com ela; 2) nega a possibilidade de aplicá-la ao contexto
atual; 3) confunde a linguagem com o movimento artístico.
Faz-se necessário uma outra via de acesso ao seu trabalho
artístico, a partir do momento em que se percebam suas
múltiplas significações. Glauco Menta "parece
Pop". Porém essa identificação à
linguagem, espontânea para o artista, se processa por outras
vias. O mundo de Glauco Menta não é o mundo das
coisas, mas o mundo das imagens, das representações,
dos símbolos. Não queira entender "bolo"
quando Menta pinta um "bolo", pois o artista nos fala
de coisas não visíveis, mas intuídas, pressentidas
através das linhas e cores que produz. Dve-se prestar atenção
a suas inúmeras atividades, especialmente às ligadas
ao mundo teatral, aos personagens e imagens "empáticas",
que resgata da mídia, à posição de
isolamento que contantemente envolve tais personagens e ao clima
recorrente de desejo, sonho, fantasia, com que o artista recobre
cada um deles.
A linguagem Pop de Menta comporta-se, portanto, mais como estratégia
que como utopia artística. Ao contrário da frieza
"camp" presente em Warhol, Hamilton, Caufield, Wesselman
ou outros artistas Pop "históricos", Glauco Menta
constrói uma aproximação "afetiva"
a suas imagens que, longe de as descontextualizar e retirar seu
valor intrínseco, parece redimir e resgatar sua dignidade,
mesmo que sua multiplicação serial possa levar a
um processo consumista, afinal inevitável, destes símbolos
coletivos.
Por mais objetivas e auto-referentes que possam parecer, as serigrafias
de Glauco Menta devem ser vistas através de sua transcendência,
de seu valor simbólico, de sua humanidade, e não
pelo gosto fácila atraente de sua aparência. Como
um retrato inverso de Dorian Gray, através de sua bela
face refletem as crescentes mazelas de nossa sociedade impiedosa,
falsa, preconceituosa, desmemoriada, consumista e destruidora.
Talvez por esse viés se entenda melhor a polêmica
e incompreensão da produção de Glauco Menta,
cuja luminosidade nos ofusca, nos seduz e, por fim, nos faz compreender
melhor a natureza do mundo em que vivemos.
Marco de Andrade
abril de 1999
Da Série "Anos 50"
Acrílica sobre tela. 57 x 57 cm. 1986
Coleção Maribel Neves
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 72 x 53 cm. 1987
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 72 x 53 cm. 1987
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 68 x 50 cm. 1986.
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 72 x 53 cm. 1987
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 72 x 53 cm. 1986
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 1986
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 1986
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 1986
Da Série "Anos 50"
Serigrafia sobre papel. 1986
Fonte: Fotografias e texto cedidos
pelo artista e digitalizadas pelo MUVI
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